iPad 2 pressiona preços de tablets para baixo
A nova geração do iPad, da Apple, estreia nos EUA e provoca mudanças no mercado em todo o mundo
Mal chegou às lojas nos Estados Unidos no último fim de semana, o tablet iPad 2, da Apple, já provoca rebuliço entre consumidores, fabricantes rivais e no mercado de tecnologia.
Cerca de 100 aparelhos deste tipo já surgiram no mercado desde o lançamento do primeiro iPad. Agora, a nova versão do aparelho, mais fina, mais leve e mais rápida do que a primeira, está fazendo com que fabricantes de tablets repensem os projetos de seus modelos. É o caso da Samsung, cujo dispositivo Galaxy Tab tinha alcançado o posto de melhor rival da primeira geração do iPad.
O seu sucessor do primeiro tablet da Samsung, Galaxy Tab 10.1, já está sendo repensado, poucos meses após seu lançamento. "Teremos de aprimorar os recursos que estiverem abaixo da expectativa de mercado", confessou o vice-presidente executivo da divisão móvel da Samsung, Dong-joo Lee, em entrevista à agência de notícias Yonhap.
A empresa sul-coreana também se vê encurralada pelo iPad 2 quanto ao preço de seu produto, que acabou ficando mais caro do que os US$ 499 do tablet da Apple. Com isso, a fabricante cogita baixar o preço de seu novo lançamento. O mesmo também deve acontecer com outros tablets concorrentes, como o Xoom, da norte-americana Motorola - visto por como o único até agora capaz de rivalizar com o iPad 2 de uma forma mais acirrada. Mas, para brigar com o aparelho da Apple a Motorola deve levar o preço do Xoom a um patamar abaixo daquele em que está o iPad 2.
A expectativa é de que outras tabuletas digitais que ainda devem chegar ao mercado ao longo do ano - das mãos de grandes fabricantes como Dell, HP e RIM - sigam a tendência de redução de preço. Além disso, é crescente o número de tablets de marcas chinesas que surgem nas lojas e sites de comércio eletrônico, a preços bem atraentes. Movimentos como esse, perpetrados pelos grandes nomes da tecnologia no tabuleiro do mercado de tablets, podem acabar beneficiando o consumidor.
Queda antecipada
Até a primeira geração do iPad passou por uma queda de preço por conta da chegada de seu irmão mais novo. Antes mesmo da chegada do iPad 2 ao mercado brasileiro - prevista para meados deste ano -, o iPad "antigo" de 16GB já pode ser encontrado em Fortaleza custando R$ 250 menos. Já os demais modelos, com mais memória, tiveram o preço reduzido em R$200, segundo confirma Marcus Meneses, diretor comercial da revenda Computer Store.
PRODUÇÃO TURBINADA
Analista alerta para ´bolha´ no setor
Para o analista Mark Moskowitz, da consultoria JP Morgan, o novo iPad 2 pode criar uma "bolha" no mercado dos tablets que pode estourar neste ano, a qualquer momento. O problema seria causado pelo aumento na fabricação desse tipo de equipamento, cujas unidades disponíveis podem chegar ao dobro do que o mercado possa realmente absorver. O analista prevê que mais de 17 milhões de tablets podem "encalhar" no caminho da fábrica para as lojas.
Segundo a consultoria, o aumento da oferta de tablets no mercado mundial pode prejudicar todo o setor de tecnologia. Moskowitz alerta para o fato de que o suprimento de componentes eletrônicos (como telas e chips) pode esgotar-se.
"Do nosso ponto de vista, as melhorias técnicas e de formato do iPad 2 tornam mais difícil para a primeira geração de alternativas tentar alcançá-lo, o que significa que o número de modelos que realmente será distribuído pode ficar bem aquém do planejado", afirmou Moskowitz em comunicado distribuído à imprensa. Segundo o analista da JP Morgan, a formação de uma "bolha" em torno do iPad 2 é um perigo bem real.
Do total de 81 milhões de tablets que os fabricantes esperam produzir neste ano, a JP Morgan prevê que 20% podem ser comprometidos pela falta de componentes. Restariam no mercado então 65 milhões desses dispositivos. Mas, de acordo com o analista Mark Moskowitz, as lojas de varejo podem não ter capacidade de absorver toda a produção. Segundo ele, só há capacidade para colocar no mercado 47,9 milhões.
A consultoria não acredita que "as ofertas da primeira geração de tablets dos imitadores da Apple sejam suficientes para levar ao aumento das vendas que os fabricantes esperam". Como resultado, o analista da JP Morgan prevê uma bolha de 17,2 milhões de tablets fabricados que não chegam às lojas.
Mesmo com a distribuição de 47 milhões de tablets no mercado, no pior cenário, o excesso de oferta será de 51%. No melhor cenário, o problema atingiria 13,2% da produção estimada. "Exceto o Xoom, da Motorola, e o TouchPad, da HP, as ofertas da concorrência (com o iPad 2) são pouco atrativas", diz o analista. Resta saber se o excesso de demanda vai se refletir também numa queda de preços, beneficiando, pelo menos desta vez, o consumidor.