Bolsa: pior semana desde abril
Ganhos no pregão de ontem, de acordo com especialistas, foi apenas uma "pausa" na onda de pessimismo do mercado
São Paulo A valorização moderada (0,3%) de ontem não evitou que a Bolsa de Valores amargasse sua pior semana (queda de 2,6%) desde a primeira quinzena de abril. Neste mês, o "termômetro" Ibovespa já acumula perdas de 5,51%.
Analistas ressaltaram que os ganhos apurados ontem nos principais mercados foram apenas uma "pausa" na onda de pessimismo predominante.
Na Europa, o "drama grego" ainda assusta, e as expectativas se voltam para a reunião deste final de semana dos ministros da zona do euro.
Nos EUA, a sequência de indicadores fracos da economia, que desanima os investidores, ganhou mais um elo com a pesquisa de Michigan sobre a confiança do consumidor. E mesmo a desvalorização acumulada de 12% da Bovespa pouco animou os habituais compradores de "pechinchas". "Os preços estão muito convidativos, mas parece que a cada dia eles ficam mais convidativos", ironiza Antonio Cesar Amarante, analista da Senso Corretora.
Assim como outros profissionais do setor financeiro, Amarante avalia que a Bolsa ainda tem espaço para cair mais antes de bater um hipotético "fundo de poço". O índice Ibovespa, que reflete os preços das ações mais negociadas, valorizou 0,29% no fechamento, aos 61.059 pontos.
Giro financeiro
O giro financeiro foi de R$ 5,75 bilhões. Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, avançou 0,36%.
Analistas destacaram as notícias de que Alemanha e França solicitaram à União Europeia a viabilização de um pacote de socorro financeiro à Grécia com rapidez. A possibilidade de que o velho continente supere o impasse para resgatar a nação grega, à beira de um possível "default", foi bem recebido pelos mercados e dá novo gás para as Bolsas europeias.
Uma nova reunião dos ministros da zona do euro está marcada o final de semana, o que ajudou a renovar as esperanças dos mercados.
Nos EUA, a Universidade de Michigan divulgou uma influente sondagem de opinião pública, em que aponta uma redução do nível de confiança dos consumidores na economia.
O índice que sintetiza a pesquisa teve uma leitura de 7,18 pontos em junho, ante 74,4 em maio. Economistas previam um patamar de 74,2 pontos.
O resultado de ontem é preliminar e deve ser revisado nas próximas semanas.